
Em uma era digital, em que a virtualidade e o brilho das telas comandam o dia a dia das crianças, como saber qual é o limite de utilizar eletrônicos e o uso de telas na infância? Existe uma idade certa? Bem, essa é a dúvida dos pais do século!
A clássica distração passiva é uma forma muito comum de fazer com que a criança fique quietinha, vidrada na tela. Mas será que esse ato causa malefícios? A resposta é “sim”, e muitos, por sinal!
A primeira infância é uma fase fundamental para o desenvolvimento cognitivo e motor de uma criança, aspecto que, inclusive, diferencia os seres humanos de outros animais. Mas como esse desenvolvimento acontece diante de uma intoxicação digital infantil? É aí que tudo se complica!
Vem conhecer um pouco mais sobre o uso de telas na infância e como evitar os malefícios que elas podem proporcionar no desenvolvimento do seu filho!
O uso de telas na infância faz mal?
É nos primeiros anos de vida que as crianças desenvolvem sua inteligência singular, a qual inclui aspectos motores e cognitivos. Esse desenvolvimento é o que determina grande parte do amadurecimento de suas regiões e estruturas cerebrais, as quais são decorrências de suas experiências vividas.
Pensando em um cenário real de um mundo cada vez mais tecnológico, as telas podem proporcionar um impacto negativo muito grande durante esse processo, especialmente para crianças pertencentes ao grupo de zero a três anos.
Isso porque, até a fase dos dois anos, a criança está adquirindo boa parte de seus conhecimentos, por isso, a exposição aos dispositivos eletrônicos pode prejudicar esse desenvolvimento neuromotor.
É na relação com o outro e com a natureza que a criança constrói hipóteses e chega a conceitos. É por brincar ao ar livre, ouvir novos sons naturais, músicas infantis e criar vínculos de afeto que os pequenos conquistam seus sentidos e a própria constituição psíquica de si.
É assim que elas vão modelando sua arquitetura, produzindo conexões dos neurotransmissores e preservando a riqueza dos estímulos que vão muito além do brilho das telas.
Quais são os malefícios do uso de telas na infância?
O uso inadequado das telas na infância pode ocasionar diversas consequências físicas e comportamentais. Tais como:
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Menor contato ao ar livre, elementos naturais e vitamina D;
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Falta de atividade física;
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Risco de sedentarismo;
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Riscos de obesidade;
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Riscos de doenças osteomusculares;
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Desenvolvimento de miopia e ressecamento dos olhos;
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Alterações na fala;
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Perda de sono;
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Complicação da sociabilidade da criança
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Excitação e dificuldade de concentração pelo excesso de movimento das telas (cores, brilhos, etc.)
Alguns desses malefícios podem ser prolongados até a vida adulta da pessoa, comprometendo o seu cotidiano e bem-estar.
Como o uso de telas na infância pode afetar o desenvolvimento das crianças?
Assim como citamos, a primeira infância é uma fase crítica do crescimento e amadurecimento da criança. É nesse período que sua estrutura cerebral e seu corpo são formados, ou seja, estão em pleno processo de desenvolvimento e modelação.
Esse desenvolvimento é consequência de suas interações com seus responsáveis e do ambiente em que vive, garantindo que suas habilidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas continuem em evolução.
O uso das telas afeta justamente essa evolução infantil, se associando a diversos desfechos nocivos de ordem comportamental, física e cognitiva.
A estimulação presente nos meios digitais e a obtenção de respostas imediatas influencia negativamente na habilidade de saber esperar e na capacidade de atenção, proporcionando atitudes de irritabilidade, baixa tolerância, hiperatividade, estresse e impulsividade.
Além disso, os eletrotônicos também proporcionam prejuízos psicológicos ocasionados pelo cyberbullying — que é uma nova versão do bullying —, e alguns prejuízos relacionados à exposição de conteúdos mais sensíveis por meio das redes sociais. Por isso, caso decida oferecer telas ao seu filho, a supervisão qualificada é indispensável.
Como diminuir o uso de telas dos meus filhos?
A boa notícia é que, mesmo que você já tenha oferecido telas digitais para o seu filho, é possível diminuir a sua utilização. Para isso, primeiro devemos lembrar que os filhos reproduzem os hábitos dos pais.
Dessa forma, que tal diminuir a quantidade de tempo que você passa usando o celular ou outros meios digitais? É uma ótima forma de incentivar novas atitudes familiares.
Além dessa atitude, você também pode explicar os malefícios que essa tecnologia pode causar, criar novas brincadeiras e momentos familiares, montar um espaço da sua casa destinado à brincadeira sem os eletrônicos e reduzir o tempo que eles passam na frente das delas.
No início, essa atitude mais intensa, poderá causar desconfortos para ambas as partes, mas com o tempo, a criança começará encontrar novas formas de se distrair, estimulando a sua criatividade.
Limite de tempo das telas por idade
Decidiu seguir o nosso conselho de redução de tempo? Se sim, confira nossa lista seguindo orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o limite de telas para crianças acima de seus dois aos seis anos de idade:
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Crianças de 0 a 3 anos: não devem ser expostas a telas, pela luminosidade e pelo excesso de estímulos desnecessários.
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Crianças de 3 a 6 anos: no máximo 1 hora por dia;
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Crianças de 6 a 10 anos: até 2 horas por dia;
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Pré-adolescentes de 11 a 18 anos: no máximo 3 horas por dia (utilização proibida na madrugada);
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Pessoas acima de 18 anos: evitar mexer duas horas antes de dormir e nunca durante as refeições.
Além disso, mesmo com o limite de horas estabelecido, é imprescindível que os pais supervisionem as telas do filho, em quais aplicativos estão entrando, quais vídeos estão assistindo, etc.
E aí, o que achou dos conselhos e informações sobre porque os bebês e crianças não podem assistir TV ou outros eletrônicos? Conte aqui para a gente suas experiências, quem sabe elas não auxiliam outras mamães que estão com problemas como este.
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Cris Duarte é mãe, psicóloga e uma das responsáveis pela popularização das fraldas de pano no Brasil. Formada em Psicologia, desde 1984, trabalhou em pré-escolas e no Agapanto (Grupo Especializado em Educação), com desenvolvimento de crianças e adolescentes e orientação de pais e educadores. Desde que decidiu ser mãe, tinha a certeza de que não usaria fraldas descartáveis, principalmente pelas questões ecológicas e conforto do bebê. Naquela ocasião, por volta de 2003/ 2004, nem se falava em fraldas de pano modernas, e o que ela pensava era usar aquelas antigas mesmo, com calça plástica. Em 2007, ela e sua irmã Mônica, descobriram as fraldas ecológicas – versão muito mais prática e durável do que as antigas – e juntas, resolveram pesquisar e empreender.
Um fato curioso é que Cris esperou sua filha durante 6 anos e 10 meses, que chegou por adoção, bem quando a Dipano ainda era um bebê, em 2010. Hoje, Cris Duarte também é autora do blog Dipano, e aqui compartilha artigos exclusivos que ajudam pais e mães de todo o Brasil a terem uma vida muito mais fácil e ecológica.