
Há tempos atrás, amamentar era considerado um ato instintivo, que não exigia aprendizado, bastava dar o peito aos filhos. Porém, com tantas informações e inovações no universo infantil, esse saber ficou para trás e, agora, entende-se que para ter um aleitamento de sucesso, estudar os pequenos detalhes é essencial.
O cuidado com os seios, posição em que o bebê está mamando e a alimentação da mãe são aspectos importantes para esse momento. Mesmo com tantas inovações da ciência sobre o assunto, não podemos negar que o leite materno é, de longe, o melhor alimento para os primeiros anos de vida de uma criança.
Diante de tanta importância, só resta para nós, mamães, aprender tudo sobre amamentação e como proporcionar um desenvolvimento ainda mais aprimorado aos nossos filhos, certo?
Por isso, eu, Cris Duarte, preparei um conteúdo completo sobre amamentação para te ajudar a diminuir suas inseguranças e aproveitar ao máximo esse momento mágico e único. Vamos começar?
O que toda mãe precisa saber sobre amamentação!
Você sabia que o leite materno, por si só, consegue evitar 13% das mortes de crianças com menos de 5 anos? Essa conclusão foi retirada da série sobre amamentação publicada, por cientistas, na revista britânica The Lancet. Sim, o nosso leite é “vivo” e sua composição se modifica a cada mamada, garantindo que todas as necessidades do bebê sejam supridas.
Essa composição é rica em vitaminas, proteínas e anticorpos que conseguem diminuir os riscos de diarréias, alergias, infecções respiratórias, otites e previnem o surgimento de doenças crônicas.
Por isso, nossa primeira dica é: se possível, amamente seu filho, crie laços afetivos e contribua para o seu desenvolvimento saudável. Dito isso, conheça 6 pontos importantes sobre a amamentação e desbrave esse mundo novo!
1. Leite materno: o que eu preciso saber?
A composição do leite materno é diferente em cada mulher, pois, ele se modifica segundo as necessidades do bebê. Por isso, suas porções de minerais, água, vitaminas, gordura e outros componentes, irão variar de mãe para mãe.
Aliás, o sexo do bebê também influencia nessa composição. Por exemplo, mãe de meninas produzem um leite com menor nível de gordura, 1,74%, enquanto os meninos necessitam de 2,8% de gordura. Mas essa composição passa por diferentes estágios de desenvolvimento, os quais são:
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Colostro: líquido amarelado, com textura espessa que é produzido logo após o parto e poderá durar de dois a três dias;
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Leite de transição: composição formada entre os 7.º e 21.º dias após o parto. É um leite mais gordo, rico em carboidratos e gorduras, ideal para fazer o bebê engordar;
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Leite maduro: após o leite de transição, surge um leite mais estável, com nutrientes equilibrados.
Independente do estágio do leite, durante qualquer mamada, o bebê começa a mamar um líquido mais aquoso que serve para hidratá-lo. Inclusive, antes da segunda mamada, é essencial deixar que o bebê esvazie todo esse leite inicial e receba todo o nutriente necessário.
Além disso, o início da mamada é sempre com um leite mais fluído, rico em proteínas e anticorpos, enquanto o final possui uma porcentagem maior de gorduras.
2. Como preparar os seios?
Durante a gestação, naturalmente seus seios começam a se modificar e se preparar para esse momento, deixando as aréolas mais escuras, as mamas maiores e com mais resistência aos hormônios.
Por isso, na verdade, você não precisa preparar os seus seios para dar de mamar. O seu corpo é responsável por deixar as áreas prontinhas para o aleitamento. O que você pode fazer é se preparar psicologicamente para os momentos de dificuldade que podem surgir, combinado?
3. É preciso retirar o leite?
Retirar o leite materno não é uma ação de obrigatoriedade. Porém, algumas mães produzem, em média, 1/3 a mais de leite do que o seu bebê precisa. Por isso, algumas mães optam por retirar alguma quantidade para doar a um banco de leite humano ou oferecer para o bebê enquanto estiver ausente.
Essa retirada pode ser feita com o auxílio de bombas extratoras ou de forma manual, se assim for mais confortável para você!
4. O que fazer na primeira vez de amamentar?
Logo após o grande stress de dar à luz, já vem um novo desafio para as mamães: como amamentar pela primeira vez? É claro que nesse momento uma equipe preparada está lá para auxiliar, porém, neste momento tente relaxar para que seus dutos se dilatem e o leite consiga uma passagem livre.
Se o seu hospital permitir, amamente seu bebê logo após seu nascimento, pois eles já conseguem criar uma familiaridade com o seio e estimular a descida do leite. Vale citar que, nas primeiras mamadas, o recém-nascido irá se saciar apenas com o colostro que os médicos chamam de primeira vacina – importante né? Confira também os tipos de partos e se prepare para o seu!
5. Quais são as melhores posições para amamentar?
Há diversas posições para amamentar, mas as melhores são: o bebê virado de frente para o corpo da mãe, a mãe deitada de lado e o bebê com o corpinho de lado e a cabeça virada para a mama. No entanto, o mais importante é encontrar uma posição que seja confortável tanto para você quanto para o recém-nascido.
6. Como garantir a pega correta?
Um dos tópicos mais importantes sobre a amamentação do recém-nascido é o jeito que o bebê vai pegar o peito. Isso porque, quando o bebê “pega” o peito de um jeito errado, pode ser que ele não consiga consumir todo o leito e, em alguns casos, essa pega errada pode esticar a pele dos seios, causando sangramentos, fissuras e rachaduras, por exemplo.
Para evitar essas danificações durante a mamada, certifique-se que o bebê está em uma posição que favoreça a pega.
Uma sugestão é: o bebê estar com o corpinho totalmente virado para a mãe, com a cabeça na altura do mamilo e barriga com barriga. Para a pega, o bebê deve abocanhar o bico e grande parte da aréola. A mãe fica responsável por estimular o lábio inferior do recém-nascido, fazendo com que ele abaixe a língua e abra a boca.
O mais correto é o bebê ficar com a boquinha levemente voltada para fora, formando um tipo de vedação entre os lábios e o peito. Tente segurar a mama com os dedos formando um grande C, promovendo um maior contato com a boca do bebê. Consegue ouvir ele engolindo? Tá mexendo o queixinho? Ótimo, está no caminho certo!
Dicas de como amamentar o bebê
Com os cuidados gravados na mente, chegou a hora de ir para a prática. Conheça algumas dicas para proporcionar um momento mais confortável para você e para o bebê.
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1. Tenha uma alimentação adequada e hidrate-se;
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2. Escolha um lugar e uma posição tranquila;
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3. Confira se a pega está correta;
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4. Alterne os seios para garantir que o bebê mame o necessário e estimule a produção de leite adequadamente;
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5. Cuide de feridas e machucados no seio.
Quais os benefícios da amamentação?
Amamentar o recém-nascido oferece diversos benefícios para o desenvolvimento cognitivo e físico do bebê, bem como fortalece os laços entre mãe e filho.
Outros benefícios são:
Para o recém-nascido:
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É uma fonte de energia, de minerais e de vitaminas para o bebê;
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Fortalece e a imunidade;
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Reduz o risco de alergias;
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Diminui a chance de obesidade;
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Contribui no desenvolvimento cognitivo;
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Ajuda no combate à anemia.
Para a mãe:
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Contribui na perda de peso;
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Estimula laços afetivos com o bebê;
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Reduz os riscos de câncer de ovário e mama;
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Combate à anemia no pós-parto;
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Reduz os riscos de desenvolver depressão pós-parto.
Como funciona a amamentação cruzada?
Amamentação cruzada é quando o recém-nascido é amamentado pelo leite materno de outra pessoa, quando o leite da mãe não é suficiente para manter o bebê bem alimentado.
Se este leite é conseguido em bancos de leite, ok. Mas não deixe seu bebê ser amamentado por outra pessoa, diretamente na mama. Esta prática é desaconselhada pelo Ministério da Saúde, porque aumenta o risco do bebê ser contaminado com alguma doença que passa pelo leite da outra mulher e o bebê não tem os anticorpos específicos para se proteger.
O que causa a confusão de bicos e como evitar?
O termo “confusão de bicos” é utilizado para explicar quando o bebê tem dificuldades de manter o seu aleitamento materno devido ao consumo de outros bicos artificiais, como mamadeiras, protetor de mamilo e chupetas, por exemplo. Essa dificuldade pode ocasionar o desmame precoce.
Quando é a hora de parar de amamentar?
Segundo dados da OMS e Sociedade Brasileira de Pediatria, a amamentação materna deve ser a alimentação exclusiva do bebê até os seus primeiros 6 meses de vida e até os 24 meses ou mais, combinando com alimentação sólida. No entanto, a mãe pode começar o desmame total, somente após os 2 anos de vida
Gostou do conteúdo? Deixe aqui seus comentários ou dúvidas. Ah, e ao se sentir confortável, deixe também o seu depoimento sobre amamentação do bebê ou cuidados na amamentação, assim você poderá ajudar outras mamães de primeira viagem!
Cris Duarte é mãe, psicóloga e uma das responsáveis pela popularização das fraldas de pano no Brasil. Formada em Psicologia, desde 1984, trabalhou em pré-escolas e no Agapanto (Grupo Especializado em Educação), com desenvolvimento de crianças e adolescentes e orientação de pais e educadores. Desde que decidiu ser mãe, tinha a certeza de que não usaria fraldas descartáveis, principalmente pelas questões ecológicas e conforto do bebê. Naquela ocasião, por volta de 2003/ 2004, nem se falava em fraldas de pano modernas, e o que ela pensava era usar aquelas antigas mesmo, com calça plástica. Em 2007, ela e sua irmã Mônica, descobriram as fraldas ecológicas – versão muito mais prática e durável do que as antigas – e juntas, resolveram pesquisar e empreender.
Um fato curioso é que Cris esperou sua filha durante 6 anos e 10 meses, que chegou por adoção, bem quando a Dipano ainda era um bebê, em 2010. Hoje, Cris Duarte também é autora do blog Dipano, e aqui compartilha artigos exclusivos que ajudam pais e mães de todo o Brasil a terem uma vida muito mais fácil e ecológica.